terça-feira, 6 de setembro de 2011

Paisagens de mim mesmo:

Enquanto eu pensava sobre a minha resposta a esta tarefa, me dei conta de que há três aspectos muito diferentes de mim mesmo que eu poderia descrever. Decidi então descrever, com o máximo de sinceridade, todos os três “eus” que conheci até hoje. Esses três eus formam o que eu vou chamar de paisagens de mim mesmo, paisagens que estou me empenhando em transformar. Que estou decidido a transformar.
A paisagem de quem somos muda de aparência dependendo de quem somo, da nosso posição a vida e de como escolhemos nos apresentar. Em primeiro lugar há o “eu” que costuma aparecer durante momentos como este. O eu que eu quero que os outros vejam. Este é o eu de montanhas majestosas e prados verdejantes. Este é o eu de força e poder. É o eu das grandes realizações educacionais e profissionais, da capacidade de liderança e da comprovada dedicação aos outros. Este é o eu público: o eu em que eu me empenho em me agarrar.
Em seguida há o eu que não quer ser revelado. O eu que quer se esconder. Trata-se da paisagem da fraqueza. Há muitos vales e poucos picos nesse eu. Ele inclui o que eu penso e acredito secretamente a meu respeito. Este é o eu que eu não compartilho com os outros. É o eu com quem viajo nos momentos de tristeza, de medo, nos momentos em que me sinto sem valor e sem esperança. Entretanto, sou capaz de reconhecer que este eu pode me ajudar a aprender com meus erros e falhas e crescer.
Na paisagem desse eu, a topografia inclui locais como o “pântano da auto enganação”, que transborda com a falta de sinceridade, que se encobre com a neblina do egoísmo e que fede com o mau cheiro do narcisismo. Aqui, as serpentes venenosas da procrastinação, da preguiça e da falta de disciplina procriam livremente. Com frequência, ameaçam me comer vivo.
Perto dali encontra-se o “vale da insegurança”. Este vale é pontilhado das imensas rochas do temor, formadas pelo medo de fracassar e por seixos de incerteza. O solo é árido devido às longas secas da vergonha e da culpa. Nada cresce nesse vale. Ele é coberto pelas ervas daninhas da limitação e da escassez.
O deserto da ira cerca o vale da insegurança. Ele é aquecido pelo implacável sol do ódio e do ressentimento, que dão origem aos ventos quentes da resistência, da desobediência, da competitividade e da arrogância. Esses ventos criam tempestades de areia de ciúme, maldade e inveja.
Há lugares nessa paisagem que não podem ser vistos por quem a olha. São as cavernas e grutas subterrâneas do “não sou bom o bastante” e “não mereço o que é bom”, que percorrem o terreno por baixo dos pântanos, dos vales e do deserto. Essas cavernas estão por baixo de todas as cenas autodestrutivas. Só recentemente descobri o quão profundamente essas cavernas e grutas recortam a minha vida. E foi a esses alicerces que eu me apeguei para construir minha vida. Até hoje!
Durante este trabalho, achei muito interessante verificar que, embora eu seja capaz de identificar os meus pontos fracos com imenso detalhe, sinto dificuldade em apontar os meus pontos fortes. Existe, no entanto, um terceiro ambiente nessa paisagem do eu. Não é novo, embora se trate de um local que estou apenas começando a conhecer e aceitar. Nessa terceira paisagem viceja um cenário lindo e inspirador, cenas de sonhos e aspirações. Para mim, é um local novo, porque chafurdei tempo demais no pântano do autoengano, visitei a gruta de “não sou bom o bastante” com excessiva frequência – com tanta frequência, aliás, que perdi de vista o meu direito de sonhar e de aspirar aos objetivos que criei para mim.
Agora eu me vejo no meio desse novo território, tendo sonhos alegres, dedicando-me a realizá-los. Vejo o sol iluminando as colinas verdejantes da esperança; vejo praias com as areias alvas da confiança; jardins de amor-próprio e montanhas de fé na minha capacidade. Neste novo local de sonhos, eu canto e danço, deliciando-me; visito lugares onde reina uma paz de tirar o fôlego, enquanto caminho por um planeta de riquezas abundantes e converso com Deus em silêncio. Eu agora me vejo aprendendo coisas novas, ensinando coisas novas, criando objetos de rara beleza, amando e sendo amado, apaixonadamente. Mas acima de tudo eu me vejo na paisagem da felicidade. Eu apenas sou como sou, e, à medida q ue vou me transformando, vou sendo. Vejo-me como professor de um eu novo e verdadeiro. Sou um mestre disposto a dar apoio aos que buscam conectar-se com Deus. À medida que aprendo e que ensino a mim mesmo, terei o que compartilhar como os outros.
Ensinarei o processo inscrito no coração de acordo como que aprendi em minhas andanças pelo deserto, pelo pântano e pela gruta, até vir descansar na praia da entrega, nos jardins dos sonhos.
Não é incrível que tenhamos de percorrer tantos lugares sombrios para encontrar a luz que sempre tivemos? Eu fugi de quem sou e voltei a me encontrar enquanto tentava ajudar os outros. Agora me vejo com mais clareza, dedico-me a usar o que Deus me deu para atingir o que desejo e me ofereço ao bem deste planeta. A isso eu me dedico.

Não, este texto não é meu, mas fiquei tão emocionada quando li que resolvi colocar aqui. Sinto-me assim, correndo entre os meus “eus”, subindo lindas montanhas e atravessando pântanos. Estou correndo para ver o sol que está nascendo lá atrás da colina, os campos estão verdes, limpos, me convidando a andar cada vez mais rápido para chegar a tempo de aproveitar o calor do sol e deslumbrar um “pôr” magnífico. É isso, o sol me espera, não tenho tempo para chuva, tempestades, vendavais... o sol me espera!!